A nutrição no desporto de formação | Catarina Augusto, Nutricionista

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Catarina Augusto é nutricionista (CP 3283N), licenciada em Dietética e Nutrição pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Trabalha na área do desporto, associada a academias profissionais como a MVP Academy e no seu consultório, onde acompanha praticantes de diversas modalidades.

Conta diariamente com a ajuda do software e da aplicação móvel do Nutrium, que lhe é particularmente útil no acompanhamento dos desportistas mais jovens.

Estivemos à conversa com a Catarina para conhecer o seu dia a dia como nutricionista e perceber quais são os desafios de um profissional na área da nutrição desportiva.

Acompanhe-nos nesta entrevista e descubra tudo!


1. Catarina, pode dar-nos uma breve introdução sobre a MVP Academy e o projeto que tem desenvolvido lá?

A MVP Academy surgiu através dos Campos MVP, que organiza eventos de especialização de basquetebol no período das férias escolares no Porto, Lisboa, Rio Maior e Portimão. O meu trabalho enquanto nutricionista começou por organizar workshops para os atletas e pais nestes eventos, para além de planear ementas e refeições intermédias.

Neste momento, a Academia conta com 28 jovens atletas de basquetebol e localiza-se no Centro Desportivo de Rio Maior. O meu trabalho na academia envolve consultas de nutrição, tendo em conta os objetivos de cada atleta, organização de workshops de educação alimentar, orientação de ementas e planeamento de refeições nos dias de jogo.

2. Que atletas acompanha na MVP Academy e que tipo de acompanhamento proporciona?

Acompanho atletas entre os 13-21 anos, que têm como principal objetivo o ganho de massa muscular e a melhoria do rendimento desportivo. Fazemos consultas a cada 6 semanas ao longo da época. Iniciamos a consulta com avaliação antropométrica com pregas cutâneas, seguimos para correção de hábitos alimentares, e terminamos com os ajustes necessários ao plano alimentar.

3. Porque é que acha tão importante os atletas serem acompanhados por um profissional de nutrição?

Os atletas da MVP Academy, para além de estarem todos numa fase pubertária ou pós pubertária, o que por si só implica que tenham necessidades energéticas exigentes, têm um volume de treino muito elevado. Garantir que estão a ter um consumo alimentar suficiente e de qualidade faz todo o sentido para garantir que tenham um crescimento adequado e bom rendimento desportivo.

4. Tem algum caso de sucesso do qual se orgulhe particularmente?

Não consigo escolher um caso em específico na MVP Academy. A verdade é que todos os atletas que temos são bastante dedicados e os resultados aparecem em quase todos eles, sejam qualitativos ou quantitativos.

Temos atletas masculinos de estatura entre 1,85m a 2,00m a aumentarem 8-10kg de peso corporal por época, atletas que conseguiram reduzir a massa gorda e se tornaram mais rápidos, e, principalmente, temos atletas que neste momento sabem fazer melhores escolhas alimentares no seu dia a dia.

5. Como é que a utilização de um software de nutrição e aplicação móvel tem ajudado no seu dia a dia de consultas e acompanhamento de atletas?

A utilização do Nutrium ajudou no acompanhamento mais próximo com os atletas, porque através da aplicação móvel (que se torna especialmente interativa para os jovens) eles têm lembretes para fazer as refeições, podem colocar um “check” na refeição que fizeram ou na água que beberam, para além de terem um chat direto que lhes permite falar comigo.

6. Quais são os mitos mais comuns relacionados com a nutrição que os atletas trazem para as consultas?

Na verdade, como são jovens, não trazem muitos mitos. Diria que o maior será que todos eles necessitam de utilizar suplementação alimentar quando na realidade, só os atletas mais velhos usam e, quando o fazem, é em condições específicas, como em jogos ou torneios.

7. Quais são os maiores desafios de trabalhar na área da nutrição desportiva e com este perfil de atletas?

O maior desafio é conseguir transmitir as bases de uma alimentação saudável, fazendo-os experimentar novos alimentos que têm mais qualidade nutricional.

Esse é o foco dos workshops, em que com idas ao supermercado ou com receitas, ensinamos a diversificar a alimentação. Por outro lado, estes atletas são muito dedicados e por isso também sabem que a alimentação tem um impacto direto na performance desportiva, pelo que são receptivos às melhorias que têm a fazer.

8. Se um colega ou estudante de nutrição quiser aventurar-se na área desportiva, quais seriam os seus melhores conselhos?

Procurar formação contínua, até porque em Portugal temos ótimas oportunidades como por exemplo a formação do ISAK (antropometria) e da Bwizer (Nutrição avançada no desporto).

Como método de atuação, focar sempre no nosso atleta e nas suas preferências. Devemos saber ouvir e ter empatia por aquilo que nos é dito, porque se nos cingirmos às guidelines, perdemos o essencial... que é a mudança de comportamento e a adesão ao plano.


Agradecemos à Catarina a sua partilha e esperamos que inspire outros nutricionistas, na área da nutrição desportiva ou outras!

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